Pontaria...
Ter atirado pedra à cruz não é problema. O problema é que naquela encarnação eu tinha uma pontaria fodida - escrever palavrão de maneira correta é estranho! "Boceta", por exemplo, ainda não me acostumei - argh! E não vou me acostumar nunca! Ui! - aquela que abre um travessão dentro do outro, parênteses e mais parênteses e o leitor se perde e pergunta "que leitor?!" - mas voltando ao que eu dizia, tenho certeza que a pedra que eu atirei à cruz tinha ponta, mas isso foi o de menos! Fato é que ela depois que bateu na cabeça Dele, ainda derrubou a Virgem que chorava aos pés da cruz. Tenho até uma vaga lembrança de Maria Madalena me olhando aterrorizada ... mas pq eu digo tudo isso? Vamos lá...
Sábado, frio, sem carro, sozinho, querendo beijo na boca. Junte a tudo isso a falta de senso e o que tenho é uma ida, de ônibus [!], à Tia Lelê - LeBoy. Era noite de flashback e teria show da Rosana ( ai ai comento sobre ela depois...).
Sendo noite de flashback o público que freqüenta a casa é diferente das barbies habituais: é um pessoal mais velho, menos fashion, um pouco mais chato, concordo... mas garimpando bem se tira coisa boa! Pensei "vou me arranjar hoje!"... mas só esqueci de uma coisa: desligar aquele imã-atrai-maluco que eu tenho! PUTAQUIUPARIU!
Boate cheia! O zoológico aberto: viados, ursos, jaguatiricas... mas estatisticamente falando, minhas chances eram de 80%! Quase certo, né?! É... QUASE! Porque depois de dar umas voltas para exibir minha figura e reconhecer o terreno, sentei num sofá no qual parte daqueles 80% estava sentada... em menos de três minutos aquele 0,01%, que eu só pegaria se minha vida dependesse disso, se senta entre mim e os 80%...
Descrevo a criatura: magra, lânguida, morena-mate, cabelos com reflexos precisando de novo corte, rosto acnemo. Pintoooooooooooooooosa! Me-ni-na! Qüenda a roupa: camiseta roxa tigrada sem manga [!], calça branca semi-beg [!] e tênis "transado" do tipo chuteira/ sapatilha prata [!].
Virei para o lado oposto ao qual ela se sentou."São Roque! São Roque! São Roque!" pensei... "ela vai embora! Ela vai! Por favor, fazei com ela se vá!"... lembrei da pedra. Nem eu ficando de costas ela se tocou! Ela veio falar comigo! O pior é que eu ainda tento fazer o educado! Transcrevo o diálogo (lembrem-se de imaginar o som alto "facilitando" a comunicação):
- Oi! Qual o seu nome?
- Rogério... (tem gente que não se toca! Ela disse o dela mas eu nem ouvi...)
- Tá gostando?
- Não... (não mesmo!)
- Vc é gay?
-   Sou...
- Vc faz o quê? (ela disse isso balançando as pernas!)
- Sou consultor...
- De quê?
- Trabalho com gerência da rotina, processos...
- Gerência?! De quê?!
- Rotina!
- o que é rotina?!
-  Esquece...
- Eu estudo enfermagem... eu gosto de ajudar as pessoas ! (Boazinha! Posso?!)
-  ...
- Vc tem faculdade?
- Runrum...
- Eu faço técnico na Cruz Vermelha. Mas eu acho que fui drogado quando era pequeno. Por isso eu faço enfermagem...
-  (Será que a inflação etíope é influenciada pela quantidade torta de chocolate consumida no Afeganistão?!) ...
...
- Mas eu não quero acreditar que o meu povo fez isso comigo...
-  ...
- Vc não está com calor?
-  Não!
Só para vcs entenderem: ontem, naquele frio siberiano, eu saí de casa com uma camiseta branca por baixo de uma camisa mais social e um casaco. Mas: 1) tava o frio que tava; 2) o ar condicionado da Le Boy é perfeito e 3) estávamos num lugar mais alto e bem em baixo de umas das saídas principais de ar! Naquela hora depois que eu já tinha dançado, pulado, o meu casaco estava jogado nas costas.
- Vc não gosta de conversar?
- Não...
- Vc vai à igreja? Vc precisa de Deus!
- EU PRECISO QUE VC SAIA DAQUI!
Vcs acreditam que mesmo assim ela continuou lá? E quis puxar papo de novo!?
- Eu pedi asilo político. Estou desconfiado que minha família...
- Ahhhhhhhhhh! Porra! Tchau!
Me levantei e saí de perto dela. Pensando sinceramente que aquilo só podia ser coisa feita! Imaginei o coisa-ruim rindo da minha cara... Olhei pra trás... nada dela. Ainda bem, pois juro que se ela viesse atrás de mim eu sairia da boate nos braços de um daqueles seguranças mavambos mas com o escalpo dela na mão! Ah sairia!
Depois que aquele egum chegou perto de mim não consegui mais nada que prestasse! Porra... não perdi a noite, claro! Tola foi vc, meu amor ! Mas ainda não foi desta vez... ai ai... 
Depois conto o que rolou...
Beijos na virilha!
Roger
Escrito por Roger às 15h03
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